08/12/2007 10:47

Antonio Prata: boas salenas, cronópio cronópio!

Contista talentosérrimo, autor de "O inferno atrás da pia", "Estive pensando", "As pernas de tia Corália", é Antonio Prata quem faz a Babel de hoje.

Babel - Qual a sua idéia da felicidade perfeita?
Antonio P. - Às vezes acontece, como se alguém soprasse no meu ouvido: veja. Então eu olho e está tudo ali, tudinho, do jeito que eu teria sonhado se soubesse que o sonho era aquele. Pode acontecer quando estou só, correndo numa praia e começa a tocar Blackbird em meu ipod paraguaio. Ao lado da Julia, atravessando uma rua, de mãos dadas, num sábado, às duas da manhã. Ou com os amigos, em volta de uma mesa, depois de uma gargalhada.

B - Que palavras ou frases você mais usa?
AP - Eu te amo.
Garçom, mais uma.
Olha, adorei o projeto, mas cê acha mesmo que não rola nenhuma grana?

B - Quando e onde você se sente feliz?
AP - Nos três momentos da questão número um. E dando uma cambalhota dentro da água, assim que entro no mar.

B - Que talento você mais gostaria de ter além do próprio?
AP - Baterista e centro-avante.

B - O que você considera sua maior conquista?
AP - Meu risoto de frutos do mar. O dia em que escrever tão bem quanto cozinho, largo a literatura e dedico-me inteiramente à culi-nária.

B - O que você considera seu maior tesouro?
AP - Meus amigos. Mas não sei bem se o tesouro é meu ou se o ouro é todo deles.

B - O que você mais/ menos gosta na sua aparência?
AP - Não gosto nem desgosto de nada tanto assim que seja digno de menção.

B - Onde você gosta ou gostaria de viver?
AP - Gosto muito de viver onde eu vivo, e já senti isso em diferentes lugares, de modo que, desconfio -- não sem grande felicidade -- que viver dentro de mim não é assim tão ruim.

B - Que pessoa viva você mais admira?
AP - Julio Cortázar. E não ouse argumentar que.

B - Com que personagem histórico você mais se identifica?
AP - Não me identifico com nenhum, mas gostaria de bater um papo com o anônimo que pela primeira vez fez do milho, pipoca e saber o que passou por sua cabeça no momento em que as pepitas começa-ram a transformar-se em flores de isopor.

B - Qual é o seu maior desgosto?
AP - É quando eu reitero a percepção de que o mundo vai mal não por uma falha de comunicação, mas porque neguinho quer é que seja assim mesmo. A desgraça não é um mal-entendido, é o projeto. Ou, na falta de um projeto, a soma das mesquinharias.

B - Se você morresse e voltasse como pessoa ou coisa, como o que/quem gostaria?
AP - Olha, ainda trabalho com a hipótese de não morrer. As células tronco estão aí, o xamanismo está aí, Deus e o Diabo estão aí, de forma que nutrirei esperanças até o último suspiro.

B - Qual é o seu lema?
AP - Ô, Ledusha, quem tem lema é escoteiro e duvido que você vá entrevistar algum escoteiro aqui nesse blog...



Julio Cortázar

enviada por Ledusha






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